Frank Barroso consolida duas décadas de ativismo e influência na transformação urbana de Uberlândia

 


Quando uma ciclovia é inaugurada, quando um grupo de jovens aprende a consertar a própria bicicleta ou quando uma comunidade discute o direito à cidade, o nome de Frank Barroso costuma estar presente. Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, essa presença se repete há mais de 20 anos e ajuda a explicar parte da transformação urbana e social vivida pelo município.

Geógrafo formado pela Universidade Federal de Uberlândia, jornalista e gestor social, Frank construiu uma trajetória que une teoria, prática e militância. Ele não apenas estuda a cidade. Ele a percorre, intervém, provoca e organiza. É nesse cruzamento entre conhecimento técnico e ação direta que sua atuação ganha relevância.

A leitura que Frank faz do espaço urbano parte de um ponto simples: a cidade é um organismo vivo. E, como tal, precisa funcionar para todos. Essa visão orientou sua migração da Geografia acadêmica para o jornalismo engajado e, depois, para o ativismo social estruturado. Ao longo dos anos, temas como mobilidade sustentável, desigualdade territorial e uso democrático dos espaços públicos passaram a ocupar o centro de seus artigos, palestras e projetos.

Na prática, isso significa ocupar a agenda pública com assuntos que normalmente ficam à margem. Significa transformar dados em narrativa. E narrativa em mobilização.

Da teoria à rua: quando a cidade vira pauta e ação

A transição de Frank da sala de aula para a rua não foi ruptura, foi continuidade. Ele levou o olhar geográfico para o cotidiano urbano e passou a traduzir problemas técnicos em linguagem acessível. Como jornalista, abriu espaço na mídia regional para debates sobre transporte, acessibilidade e direito à cidade. Como líder comunitário, organizou pessoas em torno dessas pautas.

Você lê, você entende, você participa. Esse é o fluxo que ele ajuda a construir.

Essa combinação fez com que Frank se tornasse uma referência nos movimentos sociais de Uberlândia. Não como figura institucional, mas como articulador. Alguém que conecta grupos, traduz demandas e constrói agendas comuns.

Pedala Uberlândia: a bicicleta como ferramenta de política pública

Em 2015, essa lógica ganhou forma concreta com a criação do Programa Pedala Uberlândia. A iniciativa partiu de uma constatação objetiva: a cidade tinha ciclistas, mas não tinha cultura cicloviária consolidada. A resposta foi simples e direta: colocar as pessoas para pedalar juntas.

Desde então, mais de 500 passeios ciclísticos foram realizados, mobilizando cerca de 2.000 participantes. Famílias, jovens, idosos e ciclistas experientes dividiram as mesmas rotas. Houve pedaladas históricas, trilhas ecológicas e circuitos urbanos. Sempre com um elemento em comum: debate.

Durante os eventos, temas como segurança no trânsito, infraestrutura cicloviária e políticas públicas eram discutidos. Não era só passeio. Era formação.

A ação teve efeito acumulativo. A bicicleta deixou de ser exceção e passou a ser opção. Para muitos, o primeiro contato organizado com o pedal aconteceu ali. Para a cidade, o impacto foi cultural.

“A bicicleta é um símbolo de liberdade, mas também de resistência. Ela desafia um modelo de cidade que prioriza carros e exclui pessoas”, afirma Frank. A frase resume o conceito e explica a estratégia.

Você pedala, você ocupa, você reivindica.

Movimento Cidade Futura: redes que geram impacto

O passo seguinte foi estruturar. Como coordenador do Movimento Cidade Futura, Frank ampliou o alcance de sua atuação e passou a liderar mais de 20 projetos sociais. O foco deixou de ser apenas mobilidade e passou a ser cidade.

Entre as iniciativas estão as Oficinas de Manutenção de Bicicletas, que ensinam jovens de periferias a realizar reparos básicos, em parceria com empresas locais. A lógica é direta: autonomia gera permanência. Permanência gera pertencimento.

Há também o Projeto Tenda da Saúde, que promove ações de orientação sobre diabetes, hipertensão e obesidade, além de distribuir hortaliças e verduras produzidas em horta comunitária. Saúde, aqui, é tratada como política urbana.

Outro eixo é o Curso de Formação de Lideranças Éticas e Sustentáveis. O objetivo é capacitar pessoas para assumir a frente de projetos, articular demandas coletivas e participar da gestão da cidade. Não se trata de teoria. Trata-se de prática política no sentido mais direto do termo.

Você aprende, você lidera, você transforma.

No campo técnico, o Projeto Mobilidade Urbana e Sustentável trabalha com leitura comunitária, mapeamento de conflitos, identificação de forças políticas e definição de medidas para implementação de soluções inclusivas. É método aplicado à realidade.

Segundo levantamentos internos, mais de 25 mil pessoas já foram impactadas diretamente pelas ações do movimento.

“Não adianta falar em sustentabilidade sem incluir quem está à margem”, resume Frank. A frase é linha mestra e critério de decisão.

Legado em movimento, mesmo diante das limitações

Aos 54 anos, Frank seguia pedalando pelas ruas de Uberlândia até sofrer um acidente que reduziu sua mobilidade. A mudança física não interrompeu a atuação. O ritmo mudou. A presença permaneceu.

Ele continua escrevendo, palestrando, articulando. Continua defendendo uma cidade onde crianças ocupem praças, idosos se desloquem com autonomia, pessoas com deficiência tenham acessibilidade e jovens encontrem oportunidades sem migrar.

Enquanto isso, a cidade avança. Entre as conquistas recentes estão 14 quilômetros de novas ciclovias, reivindicadas ao longo de anos de mobilização.

A transformação, aqui, não é abstrata. Ela é medida em metros, projetos, pessoas e decisões.

Resumo da Notícia:

·         500 passeios ciclísticos, 2.500 ciclistas mobilizados, 20 projetos sociais, mais de 25 mil pessoas beneficiadas, 14 km de ciclovias.

·         Você pedala, você participa, você aprende, você ocupa a cidade.
Organizar passeios, formar lideranças, criar projetos, pressionar por políticas públicas.

·         Toda cidade enfrenta desigualdade, exclusão e disputa pelo espaço urbano.

·         Frank Barroso não apenas fala de cidade, ele constrói cidade com pessoas.




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